O vigoroso crescimento e os excelentes resultados financeiros alcançados nos últimos anos confirmam o acerto da estratégia da Embraer de investir no segmento de jatos comerciais, o que posicionou a Companhia como a quarta maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo e, há três anos consecutivos, como a maior exportadora brasileira. Neste exercício de 2001, a Embraer exportou o montante de US$ 2.897 milhões, equivalente a 98% das receitas totais. O posicionamento estratégico de alcançar resultados com base na satisfação dos clientes nos levou a diversificar linhas de produtos e a fortalecer nossas relações comerciais. Esses fatores deixaram a Companhia muito mais preparada para enfrentar os extraordinários desafios que marcaram 2001. Apesar das circunstâncias adversas - retração das principais economias do mundo, recrudescida, no que concerne à indústria da aviação, pelo impacto dos atentados terroristas de setembro aos Estados Unidos - a Embraer novamente alcançou bons resultados financeiros em 2001. Eles são fruto, principalmente, da continuidade nas entregas da bem-sucedida família de jatos regionais ERJ 145/140/135, dos ganhos de produtividade e, também, do efeito da desvalorização do Real frente ao Dólar.

O lucro líquido de R$ 1.100,9 milhões (US$ 468 milhões) foi 70,6% superior ao alcançado em 2000, obtido a partir de uma receita bruta 33,6% maior, de R$ 6.989,2 milhões (US$ 2.971,2 milhões). O EBITDA atingiu R$ 2.096,8 milhões (US$ 891,4 milhões), com uma margem EBITDA de 30,0% sobre a receita bruta no ano, 91,3% acima do ano 2000. As conseqüências dos atentados terroristas aos Estados Unidos foram de grande impacto para a indústria de transporte aéreo.

Com a repentina queda do nível de ocupação de aeronaves, as companhias de aviação anunciaram dezenas de milhares de demissões e, em efeito dominó, os fabricantes de aviões e componentes também foram atingidos pela ampla reprogramação de entregas de aeronaves. O saldo foi a eliminação de quase 200 mil empregos nesses dois setores, em todo o mundo. A Embraer moveu-se rapidamente e com flexibilidade para adaptar-se ao novo cenário.

Ao mesmo tempo, coerente com sua visão de parceria com clientes e fornecedores, reviu seus planos de produção e de suprimento e adotou um conjunto de medidas destinado a reduzir gastos e adequar o nível de atividade industrial. Entretanto, agimos para preservar investimentos voltados ao desenvolvimento de produtos para a aviação comercial, corporativa e de defesa, à satisfação de clientes e à ampliação da gama de serviços oferecidos, além daqueles relacionados ao aumento da produtividade e capacidade industriais, e, em especial, à nova unidade industrial de Gavião Peixoto (SP). Essas iniciativas resultaram também no ajuste do número de empregados, o que, lamentavelmente, significou a dispensa de 1.800 pessoas, número equivalente a 14% do efetivo. Mesmo assim, o nível de geração de empregos em 2001 foi positivo, com a criação de mais de 700 empregos diretos no ano. Alcançamos a maioria das metas planejada para o ano. Entregamos 161 jatos regionais (um a mais do que em 2000), atingindo a meta, revista diante dos acontecimentos de 11 de setembro, de 160 aviões. Originalmente, planejávamos a entrega de 205 unidades. Após cuidadosa análise junto aos nossos clientes e dos impactos por eles sofridos, reprogramamos as entregas previstas para o período 2001-2003, para 160, 135 e 145 aeronaves, respectivamente, sem havermos, no entanto, registrado qualquer cancelamento de ordens firmes. Pudemos, assim, manter o potencial de realização de receitas futuras. Isso é evidenciado por uma carteira de pedidos firmes da ordem de US$ 10,7 bilhões, a qual alcança US$ 23,4 bilhões quando são adicionadas as opções. Em outubro, foram iniciadas as operações da nova pista de pouso e decolagem da unidade de Gavião Peixoto e realizaram-se os primeiros ensaios em vôo com os nossos aviões. Essa unidade industrial será totalmente implantada ao longo dos próximos anos e reunirá as linhas de montagem final das aeronaves militares e corporativas, além de um centro de serviços e linhas de fabricação de componentes e subconjuntos aeronáuticos. A Embraer manteve seus compromissos com o futuro, ao realizar, em 29 de outubro, ainda em meio ao clima de incerteza que se seguiu aos atentados terroristas nos Estados Unidos, a apresentação pública (roll-out) do EMBRAER 170, primeiro membro da nova família de jatos comerciais composta pelos modelos EMBRAER 170/175/190/195. Essa importante iniciativa sinaliza nossa confiança na capacidade de recuperação do mercado e na aceitação de produtos no segmento de 70 a 110 assentos, acompanhando a tendência de crescimento do mercado para aviões comerciais de médio porte. Obtivemos resultados significativos no Mercado de Defesa, dentre os quais citamos: a assinatura de contrato com o governo do México para o fornecimento de uma aeronave EMB 145 AEW&C, para monitoramento aéreo, e de duas EMB 145 MP, para patrulhamento marítimo e o início da produção para a Força Aérea Brasileira (FAB) de 76 unidades da aeronave ALX, com opção para mais 23 unidades. O ALX é uma versão do Super Tucano especialmente desenhada para atender aos requisitos de treinamento avançado e ataque leve. Ainda em 2001, tiveram início os trabalhos de modernização da frota de caças supersônicos F-5 da FAB. Na área de aeronaves corporativas, a Embraer concluiu importantes contratos de venda do Legacy, nas versões Executive e Shuttle. Eles sinalizam o acerto da Companhia em diversificar a sua linha de produtos para servir a esse segmento de mercado, oferecendo uma aeronave que tem nítidas vantagens na relação custo/benefício quando comparada a modelos concorrentes. Em junho, foi realizada com sucesso oferta secundária de ações da Embraer, no Brasil e nos Estados Unidos, que somou US$ 750 milhões e ampliou o volume de ações preferenciais em circulação no mercado.

Ao mesmo tempo, o BNDES lançou US$ 300 milhões em títulos conversíveis lastreados em ADSs da Embraer. Após essa oferta, o free float das ações preferenciais da Embraer passou de 37,5% para 58,5%, sendo 13,1% das ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e 45,4% na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). No plano social, continuamos a dar prioridade aos programas de atração de talentos e capacitação profissional que têm colocado a Embraer na vanguarda tecnológica da indústria aeronáutica. Foram destaques em 2001: o Programa de Especialização em Engenharia voltado à formação de engenheiros recém-formados, nas especialidades da Engenharia Aeronáutica; o curso de Mestrado em Administração, com ênfase em Comércio Exterior, oferecido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e o lançamento das bases do Instituto Embraer de Educação e Pesquisa, com sua primeira iniciativa direcionada às comunidades em que a Companhia atua, voltada a alunos do ensino médio, oriundos da rede pública, inicialmente na região de São José dos Campos. Em 2001, a Embraer também se destacou com o apoio a outros programas sociais e de incentivos à cultura. Apesar das dificuldades por que passa nossa Indústria, projetamos para o futuro um novo cenário para a aviação comercial no mundo, com a provável migração de números expressivos de passageiros de aeronaves maiores para equipamentos menores, o que trará novas oportunidades para a Embraer. Esse novo perfil será conseqüência, em parte, de uma racionalização de rotas e de custos a ser adotada por companhias aéreas, buscando, ainda, evitar o desconforto e a inconveniência decorrentes de mais rigorosos procedimentos de segurança nos principais aeroportos. Além disso, intensificaremos esforços para expandir a presença em novos mercados, notadamente na Ásia e particularmente na China. Da mesma forma, estaremos reforçando nossa presença na área de defesa, com a oferta de produtos e sistemas, basicamente nos segmentos de inteligência, treinamento e ataque leve, que representem real valor para as forças militares envolvidas. Finalmente, é importante registrar que a Organização Mundial de Comércio (OMC) considerou o Programa Brasileiro de Financiamento às Exportações em conformidade com as normas daquele organismo, ao mesmo tempo em que julgou ilegais os subsídios oferecidos pelo Canadá à sua empresa aeronáutica, em várias operações de venda de aeronaves concluídas desde 1996. Essas decisões certamente estabelecem as bases morais e éticas que poderão propiciar uma discussão verdadeira sobre as questões de suporte às exportações e, eventualmente, evoluir para acordos sólidos. Externamos, ainda, nossos agradecimentos aos clientes, fornecedores e parceiros industriais, instituições financeiras e órgãos governamentais, que, junto com a Embraer, vêm trabalhando para consolidar uma posição de destaque no mercado mundial. Aos nossos acionistas e empregados expressamos nossos agradecimentos e reconhecimento por seu suporte, integração e determinação, que fazem com que a Embraer seja, hoje, uma empresa de classe mundial, competitiva, inovadora, diversificada e ágil, características que permitiram enfrentar os significativos desafios de 2001 e que, sem dúvida, garantirão seu crescimento contínuo no futuro.


O ano de 2001 ficará registrado em nossa memória de forma definitiva. Muitos acontecimentos nesse ano influenciaram particularmente a indústria aeronáutica. Mas, uma ação ágil, flexível e determinada por parte da Embraer ajudou a reverter, em grande parte, esse quadro de adversidades.