DESEMPENHO ECONÔMICO
A Embraer está presente no novo mercado da BM&FBovespa, ao seguir suas regras atende o mais alto nível de governança do Brasil. Isto demonstra aos investidores, financiadores e demais públicos interessados o compromisso da Empresa com as melhores práticas de gestão adotadas pelas companhias de capital aberto.
O planejamento estratégico, as expectativas financeiras (
guidance) e o acompanhamento contínuo no cenário interno e externo e indicadores corporativos permitem a adoção de ajustes necessários na busca de melhores resultados. Os impactos econômicos são refletidos na
Demonstração do Valor Adicionado.
Em 2010, o mercado aeronáutico foi marcado por sinais iniciais de estabilização e até recuperação em alguns segmentos. O bom posicionamento da Embraer permitiu o aproveitamento das oportunidades que surgiram, principalmente na aviação comercial, e alguns resultados significativos foram alcançados, principalmente nas operações industriais, contribuindo positivamente para a melhoria da margem bruta da Empresa.
A Embraer elaborou suas Demonstrações Financeiras (DFs) de 2010 de acordo com as informações consolidadas e preparadas seguindo o modelo do
IFRS – International Financial Accounting Standards, aplicando o IFRS 1 "Primeira adoção das IFRS" definindo 1º de Janeiro de 2009, como a data de transição para o padrão.
As demonstrações financeiras individuais da Controladora foram preparadas conforme as práticas contábeis adotadas no Brasil, para permitir uma melhor comparabilidade dos dados.
Receita Líquida e Margem Bruta
Em 2010, a Embraer registrou receita líquida de
R$ 9.380,6 milhões, 14% menor que os R$ 10.871,3 milhões auferidos em 2009. Essa diminuição se deu, basicamente, por conta da apreciação do Real (R$) frente ao Dólar (US$), com variação da taxa média anual em 11,7%, e a mudança no mix de produtos entregues, com a maior participação do Phenom. A margem bruta apurada em 2010 foi de 19,2%, estável em relação ao período anterior que, apesar da valorização cambial, foi compensada pelos ganhos de produtividade oriundos do P3E.
| [R$ Milhões] |
2010 |
2009 |
| Receita Líquida |
9.380,6 |
10.871,3 |
| Custo dos Produtos Vendidos |
(7.582,6) |
(8.759,5) |
| Lucro Bruto |
1.798,0 |
2.111,8 |
| Margem Bruta |
19,2% |
19,4% |
| Despesas Operacionais |
(1.112,4) |
(1.345,1) |
| Lucro Operacional antes dos Juros e Impostos |
685,6 |
766,7 |
| Margem Operacional |
7,3% |
7,1% |
| Depreciação e Amortização |
383,6 |
452,1 |
| EBITDA Ajustado* |
1.069,2 |
1.218,8 |
| Margem EBITDA Ajustado |
11,4% |
11,2% |
| Lucro Líquido Atribuído à Embraer |
573,6 |
912,1 |
| Margem Líquida |
6,1% |
8,4% |
| Lucro por Ação |
0,79 |
1,26 |
| Quantidade de Ações** |
723.665 |
723.665 |
* O EBITDA ajustado, de acordo com o Ofício Circular CVM nº 1/2005 representa o lucro líquido adicionado de receitas (despesas) financeiras líquidas, imposto de renda e contribuição social, depreciação e amortização, receitas (despesas) não operacionais, participações minoritárias e equivalência patrimonial.
** Não inclui 16,8 milhões de ações mantidas em tesouraria.
Receita por Segmento de Negócio e por Região
Em 2010, os segmentos de negócio de Aviação Comercial, Aviação Executiva e Defesa e Segurança representaram respectivamente, 53%, 21% e 13% da receita líquida total, em comparação a uma participação de 62%, 16% e 9% em 2009. Serviços aeronáuticos e outros negócios mantiveram suas participações em 11% e 2%, respectivamente, na receita líquida total.
A receita líquida para o mercado de aviação comercial fechou o período com R$ 5.058,8 milhões, redução de 26% em relação aos R$ 6.811,4 milhões de 2009; devido ao menor número de entregas no período e a apreciação do real. O mercado de aviação executiva gerou receita de R$ 1.983,4 milhões em 2010, 17% maior que a receita de R$ 1.694,1 milhões do ano anterior. O segmento serviços aeronáuticos apresentou receitas de R$ 991,2 milhões, uma queda de 17% em relação aos R$ 1.194,3 milhões registrados em 2009. A receita líquida do mercado de defesa e segurança foi de R$ 1.177,8 milhões em 2010, crescimento de 24% em relação aos R$ 948,9 milhões de 2009.
O Brasil manteve sua expansão na receita líquida da Empresa, cresceu de 4% em 2008 para 13% em 2010
(11% em 2009). Os principais fatores foram as sete entregas feitas à Azul Linhas Aéreas Brasileiras e uma à Trip
Linhas Aéreas. Contribuíram também os novos clientes do Phenom 100 e 300, além dos contratos assinados com o Governo Brasileiro. Além disso, em função da crise mundial, que afetou principalmente o mercado da América do Norte, sua participação manteve-se em queda, passando de 23% para 13% na receita líquida.
Despesas Operacionais e Lucro Operacional
Como resultado do grande número de aeronaves entregues durante 2010, os estoques reduziram R$ 594,5 milhões e fecharam o período com R$ 3.662,8 milhões, o menor nível desde 2005. Contas a Pagar diminuiu para R$ 1.250,0 milhões em 2010, como consequência de ajustes nas atividades de compras. Além disso, durante 2010, o saldo de Contas a Receber registrou um pequeno aumento para R$ 581,9 milhões. No período, as despesas operacionais totalizaram R$ 1.112,4 milhões, uma queda de 17% se comparado aos R$ 1.345,1 milhões de 2009, por conta da provisão de R$ 179,0 milhões promovida naquele ano devido à concordata da empresa aérea Mesa Air Group. Se descontarmos os efeitos não recorrentes dessa concordata, nossas despesas operacionais mantiveram-se estáveis em 2010, apesar da apreciação de quase 12% do Real.
As despesas comerciais, por sua vez, subiram 9% em relação a 2009 e totalizaram R$ 657,0 milhões ou 7% da receita líquida de vendas. As despesas administrativas registraram R$ 346,1 milhões em 2010, queda de 8% comparadas aos R$ 376,2 milhões do ano anterior.
EBIT
O lucro operacional (EBIT) em 2010 atingiu
R$ 685,6 milhões, 11% menor que os R$ 766,7 milhões em 2009. Mesmo assim, gerou uma Margem Operacional, também conhecida por Margem EBIT, de 7,3%, maior que os 7,1% de 2009.
Receita por Segmento |
Receita por Região |
 |
 |
EBITDA
A geração de caixa operacional medida pelo
EBITDA caiu 12% em relação a 2009 (R$ 1.069,2 milhões e R$ 1.218,8 milhões, respectivamente), mas a margem EBITDA foi de 11,4%, mantendo-se estável em relação ao ano anterior.
Lucro Líquido e Margem Líquida
A Embraer terminou 2010 com uma receita
financeira líquida de R$ 30,9 milhões, 90% superior aos R$ 16,3 milhões de 2009, explicada principalmente pela continuidade das ações de gestão dos ativos financeiros e redução do custo da dívida. Com isso, obteve lucro antes dos impostos de R$ 715,1 milhões, contra R$ 647,2 milhões do período anterior.
O lucro líquido atribuído à Embraer, de R$ 573,6 milhões, diminuiu 37% em relação aos R$ 912,1 milhões apurados em 2009 e a margem líquida atingiu 6,1%, abaixo dos 8,4% apurados em 2009. Nesse mesmo ano, a margem líquida foi positivamente influenciada por um crédito tributário de imposto de renda diferido sobre a diferença entre a base fiscal e a base contábil dos ativos não monetários, principalmente estoques. Em 2010, em razão da apreciação do real no período, houve uma despesa de imposto de renda que contribuiu para uma redução na margem líquida.
Indicadores Patrimoniais
A Embraer encerrou o ano com um endividamento total de R$ 2.390,6 milhões, 33% abaixo dos
R$ 3.584,0 milhões do exercício anterior. Deste total, 95% são linhas de longo prazo. O endividamento é composto de R$ 1.723,3 milhões (72%) em linhas de crédito denominadas em sua maioria em dólares e os restantes
R$ 667,3 milhões (28%) são denominados em reais, sendo que o prazo médio de endividamento é de seis anos.
O crescimento de 3,3% no resultado operacional em dólares, resultou na melhora do retorno sobre o capital empregado (ROCE), evidenciando a maior eficiência operacional da Empresa. A posição de liquidez evoluiu em relação a 2009 devido ao pagamento de dívidas de curto prazo. Ao final de 2010 o caixa líquido teve um acréscimo de 36% e atingiu R$ 1.152,8 milhões. A gestão financeira próxima aos clientes permitiu por mais um ano a diminuição do montante total de contas a receber e financiamentos aos clientes.
A posição de estoque encerrou o ano em
R$ 3.662,8 milhões, 14% abaixo do período anterior, uma diminuição consistente pelo segundo ano consecutivo, resultado da gestão entre os fornecedores e do aperfeiçoamento da eficiência operacional, que reduziu os ciclos produtivos.
| Indicadores Consolidados
[R$ milhões IFRS] |
2010 |
2009 |
| Dívida/Patrimônio Líquido |
0,5 |
0,7 |
| Giro dos Estoques |
2,1 |
2,1 |
| Giro dos Ativos |
0,7 |
0,7 |
| ROA |
4,1% |
5,9% |
| ROE |
11,0% |
18,2% |
| ROCE* |
16,1% |
15,8% |
*Em IFRS US$
| Destaques Consolidados
[R$ milhões] |
2010 |
2009 |
| Disponível* |
3.543,4 |
4.433,4 |
| Contas a Receber |
581,9 |
709,3 |
| Financiamentos a Clientes |
117,5 |
91,9 |
| Estoques |
3.662,8 |
4.257,3 |
| Ativo Permanente** |
3.194,6 |
3.180,8 |
| Fornecedores |
1.250,0 |
1.038,3 |
| Endividamento – Curto Prazo |
120,9 |
1.031,5 |
| Endividamento – Longo Prazo |
2.269,7 |
2.552,5 |
| Patrimônio Líquido |
5.217,7 |
5.019,7 |
* Inclui caixa e equivalentes de caixa e instrumentos financeiros ativos
** Inclui imobilizado e intangível
Valor Econômico Adicionado (VEA)
A Embraer apresentou queda de rentabilidade, medida pelo Valor Econômico Adicionado (VEA), por conta da constituição do Imposto de Renda e Contribuição Social diferidos, relativos à diferença entre o valor contábil dos ativos e passivos e a base tributária para fins fiscais e aumento dos investimentos a serem remunerados.
| [R$ Milhões] |
2010 |
2009 |
| Total do Ativo |
13.981 |
15.478 |
| Passivo com Financiamento Espontâneo |
6.372 |
6.874 |
| Passivo Remunerado |
7.609 |
8.604 |
| Capital de Terceiros |
2.391 |
3.584 |
| Capital Próprio |
5.218 |
5.020 |
| Investimentos a Remunerar |
7.609 |
8.604 |
| Receita Operacional Líquida |
9.381 |
10.871 |
| Custos e Despesas Operacionais |
(8.696) |
(10.240) |
| Resultado Operacional |
685 |
631 |
| Imposto de Renda e Contribuição Social |
(115) |
290 |
| Custo do Capital de Terceiros |
(216) |
(286) |
| Lucro Líquido Ajustado |
354 |
635 |
| Custo do Capital Próprio |
(675) |
(666) |
| Valor Econômico Adicionado |
(321) |
(31) |
| VEA/Investimento a Remunerar |
-4,2% |
-0,4% |
O cálculo do VEA exclui entidades de propósito específico (EPE).
Mercado de Capitais
O relacionamento da Embraer com a comunidade financeira e com os seus investidores é pautado pela divulgação de informações com transparência e equidade, caracterizadas pelo profundo respeito aos princípios legais e éticos, buscando consolidar e manter sua imagem de liderança e inovação junto ao mercado de capitais, seguindo as regras do Novo Mercado da BM&FBovespa, o mais elevado nível de governança corporativa no país. Suas ações estão listadas na Bolsa de Valores de São
Paulo (BM&FBovespa) desde 1989, e na Bolsa de Nova York (NYSE) através do programa de
ADRs (American
Depositary Receipts) nível III, que em julho de 2010 completou dez anos de listagem.
Como resultado dos processos de gestão e inovação, a Empresa integra, desde sua criação em 2005, a carteira do ISE-BM&FBovespa (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e passou a integrar o
DJSI (Dow Jones
Sustainability Index) no período 2010-2011, tornando-se uma das cinco empresas aeroespaciais em todo o mundo a participar desse índice.
Além disso, em 2010, a Embraer integrou também as carteiras teóricas do IBrX (Índice Brasil), do IBrX 50, do IGC (Índice de Ações com Governança Corporativa), do recém criado ICO2 (Índice de Carbono Eficiente), do
ITAG (Índice de Ações com Tag Along Diferenciado), do INDX (Índice do Setor Industrial) e do IVBX-2 (Índice
Valor BM&FBovespa 2ª Linha).
O capital social da Embraer é composto somente por ações ordinárias, negociadas na BM&FBovespa sob o símbolo EMBR3, que registraram no ano de 2010 uma valorização de 24%, encerrando o ano cotadas a R$ 11,80. Por sua vez, o índice da BM&FBovespa valorizou-se 1% no mesmo período.
Os
ADSs (American Depositary Shares) da Empresa, listados na NYSE sob o símbolo ERJ, atingiram a cotação de US$ 29,40 no último pregão do ano, representando uma valorização de 33% em 2010, frente a uma valorização de 13% do índice
Dow Jones.
Desempenho EMBR3 BM&FBovespa [2010]
01/01/2010 = 100
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Desempenho ERJ NYSE [2010]
01/01/2010 = 100
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Em 31 de dezembro de 2010, o capital social da Embraer era representado por 740.465.044 ações ordinárias (ON), sendo que 16.800.000 ações ordinárias encontram-se depositadas em tesouraria, sem valor político ou econômico.
Do total das ações que compõem o capital da Empresa, em 31 de dezembro de 2010, 49,6% estavam sendo negociadas na BM&FBovespa, e 50,4% sob a forma de
American Depositary Shares (ADS) na
New York Stock
Exchange (NYSE).
Em 2010, boa parte da liquidez das ações ordinárias esteve no mercado norte-americano, quando o volume de ADSs negociado na
NYSE apresentou uma média diária de 938 mil títulos, movimento equivalente ao volume financeiro médio diário de US$ 23,1 milhões. Já na bolsa brasileira, as ações ordinárias apresentaram volume médio diário de 1.731 mil ações, com volume financeiro médio diário de R$ 18,4 milhões.
A capitalização de mercado da Embraer atingiu o valor de US$ 5,4 bilhões no final de dezembro de 2010, comparado aos US$ 4,0 bilhões registrados em 31 de dezembro do ano anterior.
Remuneração aos Acionistas
A partir do lucro líquido consolidado de R$ 600,2 milhões, a Embraer distribuiu aos seus acionistas em 2010, R$ 201,0 milhões, sob a forma de juros sobre capital próprio (JCP), equivalente a R$ 0,28 por ação ordinária. A distribuição de JCP aos acionistas, foi aprovada pelo Conselho de Administração em reuniões realizadas durante o exercício:
Em 10 de junho, foi aprovada a distribuição de
R$ 34.540 milhões referente ao 1º semestre de 2010, sendo paga no dia 22 de novembro de 2010.
Em 16 de setembro, foi aprovada a distribuição de
R$ 21.709 milhões referente ao 3º trimestre de 2010, que foi paga no dia 22 de novembro de 2010.
E no dia 9 de dezembro, foi aprovada a distribuição de R$ 144.733 milhões referente ao 4º trimestre de 2010, paga no dia 14 de janeiro de 2011.
A distribuição de proventos de 2010, representou 33,5% do lucro líquido consolidado da Empresa.
Ações Ordinárias*
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Dividendos Distribuídos
R$ Milhões
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* Não inclui 16,8 milhões de ações mantidas em tesouraria.
Total de ações 723.665.044. |
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