Após o ajuste feito pela Embraer em 2009, o ano de 2010 foi marcado pela retomada da estabilidade, principalmente a partir do segundo semestre, quando houve uma melhora do mercado e a Empresa focou suas ações e estratégias nas vendas. Esse esforço trouxe resultados: depois de ver sua carteira de encomendas encolher quase US$ 6 bilhões em 2009, decorrente de cancelamentos de pedidos de aeronaves já contratados e da paralisação das vendas, a Embraer fechou o ano com uma carteira de pedidos firmes em US$ 15,6 bilhões e novamente em ascensão.
Em 2010, assim como nos últimos dois anos, a Embraer atingiu suas previsões iniciais de resultados e a composição do backlog foi muito importante nesse momento, principalmente devido à drástica diminuição das vendas provocadas pela crise financeira internacional.
A desvalorização do Dólar (US$) frente ao Real (R$) também pressionou o desempenho, pois 90% da receita da Empresa vem das vendas para o exterior, em dólar, enquanto parte importante dos custos ocorre em reais.
Mesmo assim, houve uma melhora das margens operacionais e o aumento da produtividade.
A Empresa, mesmo diante de uma política de contenção de despesas, não suspendeu os programas de desenvolvimento das aeronaves Legacy 500 e 450 e a certificação do Legacy 650. Tal atitude transformou 2010 em um ano de estabilidade para a Embraer, que avançou rumo a um futuro sustentável e a uma condição de perpetuidade por conta da consistência na gestão, transparência nos processos, nos relacionamentos e na sua estratégia.
DESEMPENHO OPERACIONAL
A retomada das campanhas de vendas e os resultados alcançados no segundo semestre, com a conquista de novas ordens, deram novo fôlego à Empresa, que teve como principal desafio manter-se lucrativa e melhorar processos para a redução de custos financeiros e operacionais.
Nesse contexto, apesar do efeito do câmbio, os constantes esforços promovidos pelo Programa de Excelência Empresarial Embraer (P3E), principalmente nas operações industriais contribuíram positivamente para a melhoria da produtividade e manutenção dos valores de margem bruta.
"Até que a ciência dê asas às pessoas,
nós lhes daremos uma melhor maneira de voar."
Manter a Empresa equilibrada e rentável e garantir a posição e o prestígio que ocupa no mercado é o grande desafio para os próximos anos, principalmente com a preservação de nossos valores empresariais.
Em matéria de vendas, o Salão Aeronáutico de Farnborough (Reino Unido), em julho de 2010, foi um importante evento que reforçou a imagem da Embraer como uma empresa competitiva e atraente aos operadores de todo o mundo, tendo contabilizado conquistas muito importantes e que resultaram em 42 ordens firmes, além de outras propostas comerciais, sendo a maior com a companhia aérea britânica Flybe, que pode chegar a até 140 aeronaves no valor potencial de US$ 5 bilhões, caso todas as opções e direitos de compra sejam exercidos.
Outro grande destaque ficou para a pesquisa anual de clima organizacional e as pesquisas das revistas Época e Exame, que colocaram a Embraer como uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. A Empresa também foi indicada pelo jornal Valor Econômico como uma das melhores empresas em gestão de pessoas do Brasil. A meta estabelecida pela Embraer há três anos era ter 75% de satisfação dos empregados e, no final de 2010, a satisfação apurada alcançou 78%.
Gestão Tecnológica e do Conhecimento
A gestão do conhecimento segue com grande foco através da consolidação de comunidades de prática e ambientes colaborativos para projetos. Em adição aos esforços nessa área foi promovido pela primeira vez o Seti – Seminário Embraer de Tecnologia e Inovação – no qual foram apresentados e debatidos inúmeros trabalhos de alto conteúdo tecnológico produzidos pelos empregados e voltados à tecnologia e inovação.
Como forma de otimizar e padronizar os processos aplicados nos diversos produtos em desenvolvimento, vem sendo realizados intensos trabalhos de revisão e harmonização desses processos, para garantir a melhoria contínua na qualidade e produtividade no desenvolvimento de novos projetos.
Desenvolvimento de Tecnologias – A capacidade de gerar soluções tecnologicamente inovadoras é uma competência indispensável para a manutenção da competitividade na indústria aeronáutica. Tendo em vista a importância das novas tecnologias para fazer frente aos principais desafios que a indústria aeronáutica deve enfrentar nos próximos anos, a Embraer, através de seu programa de desenvolvimento tecnológico, investiga e desenvolve soluções que criam competências internas no domínio de tecnologias críticas para os mercados em que a Empresa atua ou poderá vir a atuar.
Para garantir uma visão de futuro adequada, a estratégia do programa de desenvolvimento tecnológico é definida a partir da análise e do monitoramento do cenário tecnológico mundial. Os esforços de capacitação para aplicação de tecnologias avançadas que possibilitarão o desenvolvimento mais rápido e tornarão as aeronaves mais seguras, leves, silenciosas, confortáveis e eficientes em consumo de energia e em emissões e mais fáceis de serem mantidas, tiveram sequência em 2010 e continuarão a receber investimentos em 2011.
Conhecimento em Rede – A estratégia de desenvolvimento tecnológico da Embraer é estruturada na forma de um programa capaz de gerenciar e executar projetos multidisciplinares e integrar diversas instituições como universidades, institutos de pesquisa, instituições de fomento e outras empresas que operam como uma rede de parceiros de desenvolvimento. Atualmente, na rede de cooperação tecnológica, colaboram mais de 50 institutos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), envolvendo mais de 250 pesquisadores da comunidade científica. Em 2010, foi dado um passo importante na integração com redes globais de pesquisa, quando a Empresa se tornou membro da iniciativa do governo de Cingapura, ASTAR (Agency for Science, Technology and Research), permitindo assim, à Embraer, acessar conhecimentos na vanguarda da tecnologia aeronáutica.
Tendo em vista a importância das atividades de P&D para o desenvolvimento nacional e a importância da indústria aeronáutica como estratégica para a inovação tecnológica, a Embraer participa ativamente das discussões com as principais lideranças empresariais e o governo para fortalecer as políticas públicas destinadas a fomentar o Sistema Nacional de Inovação. Dessa forma, a Empresa busca contribuir para a construção de um ambiente mais dinâmico que favoreça a inovação tecnológica nas empresas e a intensificação das pesquisas em tecnologias emergentes no País.
GRI SO5
Inovação e Propriedade Intelectual – O programa de desenvolvimento tecnológico apresentou resultados significativos no desenvolvimento de tecnologias. Entre eles, dois importantes projetos na área de eficiência energética de sistemas embarcados de aeronaves, que permitirão mais eficiência em consumo de combustível e consequente redução das emissões para os futuros produtos Embraer.
De 2003 a 2010, a Embraer teve um aumento considerável no número de pedidos de patentes solicitadas. No total, foram 64 pedidos, dos quais 26 foram concedidos até o momento.
Operações Industriais
Em 2010, a Embraer avançou no sentido de tornar suas unidades de produção referência de produtividade e tecnologia em seu setor de atuação.
O volume de produção de aeronaves superou em dois aviões àquele alcançado no ano anterior, incluindo a entrega das primeiras unidades do novo Legacy 650, que passou a incorporar o portfolio de produtos da aviação executiva. O programa Phenom 300 teve sua ascensão em 2010, com a entrega de 26 aeronaves no ano.
O programa de Excelência Empresarial Embraer (P3E), avançou através da implantação de importantes iniciativas, Projetos Kaizens e 3P (
Production Preparation Process). Neste ano, houve um avanço significativo no nível de certificação das células de melhoria contínua, referentes às atividades industriais, já com a qualificação das primeiras células no nível prata da Empresa.
A estratégia de implementação de automação avançou significativamente durante o ano de 2010. Foram implementados projetos que elevaram a produtividade e qualidade. Aos robôs já existentes foram adicionados outros para junção de fuselagens, fabricação de painéis de asas dos
E-Jets, inspeção por ultrassom e montagem de estruturas em material compósito para a aviação executiva.
No desenvolvimento de novos programas, foram recebidos os primeiros grandes ferramentais da asa e dos estabilizadores horizontais e verticais para a montagem do protótipo do Legacy 500, que já teve suas primeiras peças fabricadas. O cargueiro KC-390, outro grande projeto em fase de desenvolvimento, também avançou significativamente com a definição do processo produtivo e o planejamento preliminar da infraestrutura para a produção desses aviões.
Programa de Excelência Empresarial Embraer – P3E
GRI 4.9 | EC9
Para toda corporação é vital saber a oportunidade certa para implantar grandes mudanças que têm o poder de impactar a maneira de ser e fazer. A Embraer vive esse momento desde a apresentação, em julho de 2007, do
Programa de Excelência Empresarial Embraer (P3E), um sistema baseado em um modelo japonês que tem por objetivos levar a gestão, os processos e os produtos Embraer ao nível de excelência a partir da melhora na capacitação de todos os empregados e lideranças da Empresa.
Os quatro pilares que fundamentam o P3E são:
- O desenvolvimento da cultura organizacional da Embraer
- O desenvolvimento das pessoas
- A formação contínua de líderes e de suas habilidades de gestão
- A busca da excelência e eficiência em todos os processos da Empresa
Este último utiliza-se do Kaizen4, na filosofia Lean5, para melhorar os processos de maneira integrada.
O programa desenvolveu-se a partir da constituição, baseada no fluxo de valor da Empresa, de células de melhoria contínua. O avanço das células nas etapas do programa passa por um processo de certificação que tem início na qualificação básica e passa, sucessivamente, aos níveis bronze, prata e ouro, de acordo com a performance.
Até 2010, de todas as 443 células existentes, 424 foram qualificadas, o que significa que tiveram estabelecidas as expectativas dos clientes internos e externos, a rotina de aplicação das ferramentas de melhoria e as metas de excelência. Até o final do período, quatro células atingiram a certificação no nível prata e 280 no nível bronze. Além disso, demos início ao segundo ciclo da prática de valores, que partiu de ações individuais para um movimento coletivo e para a adequação de processos, ferramentas e políticas nas células que fazem parte do programa.
4. Conceito de administração japonesa que significa aprimoramento contínuo e gradual, na empresa ou na vida pessoal. Antes de tudo, é uma filosofia de vida de aprimoramento constante, baseada na frase "o amanhã é melhor do que hoje".
5. Filosofia de gestão derivada do Sistema Toyota de Produção, também chamado de produção enxuta e Lean Manufacturing, que surgiu no Japão, na fábrica de automóveis Toyota, após a Segunda Guerra Mundial. A base de sustentação da filosofia é a absoluta eliminação do desperdício, e os dois pilares de sustentação são o just-in-time e a automação. Os sete maiores desperdícios que o sistema visa eliminar são: superprodução, tempo de espera, transporte, processamento, estoque, movimentação e defeitos.
Utilizam-se diversas ferramentas para o treinamento dos empregados e de manutenção excelente das operações em cada setor. Todo participante de cada uma das células tem autonomia para resolver problemas. Para isso há as clínicas de qualidade, que identificam as dificuldades e possibilitam a reparação de erros. Há também a matriz de habilidade, que mostra as capacidades técnicas das pessoas de cada célula e, com isso, permite ajustes e treinamentos necessários.
O trabalho de treinamento de líderes é feito em três etapas: a) o programa para novas lideranças; b) o aperfeiçoamento das habilidades de comando; c) a formação de novos empresários, com o objetivo de garantir a perpetuidade do negócio. O líder deve estar sempre alinhado com os valores do P3E para contagiar os subordinados e, com isso, reduzir o desperdício e aumentar a competitividade da Embraer.
O programa estabeleceu ainda, uma cultura de expressão em que os empregados expõem soluções e inovações ao processo operacional e de gestão, além de novos valores para a Embraer: importância das equipes para o sucesso da Empresa, o servir bem aos clientes, a busca contínua pela excelência, a inovação como marca da Empresa, o pensamento global e o alinhamento com a sustentabilidade.
Saúde e Segurança no Trabalho
GRI LA7
A Empresa possui a certificação OHSAS 18001. Para gerenciá-las, a Embraer mantém o Sistema Integrado de Gestão para o Meio Ambiente, Saúde e Segurança no Trabalho e Qualidade (SIG-MASSQ), que monitora as ações e resultados em todas as unidades e integra a Empresa, os empregados, terceiros e parceiros com a saúde e a segurança. Este sistema é avaliado anualmente e certificado pela entidade certificadora
ABS –
Quality Evaluations.
Com base no P3E, todas as áreas da Empresa têm metas de melhoria contínua dos processos e critérios de elegibilidade ligados aos temas de saúde e segurança ocupacional. Além disso, o sistema é apoiado por outros programas, como por exemplo, o Programa Comportamental que tem contribuído para a meta de redução de acidentes do trabalho através do envolvimento dos empregados no tema comportamento seguro.
A estratégia do SIG-MASSQ baseia-se no estabelecimento de objetivos e metas que são fortalecidos através de ações como as contempladas no Plano de Excelência em Saúde e Segurança do Trabalho, que tem como principal meta a redução dos acidentes do trabalho em 70% e redução do índice de gravidade em 50%, até dezembro de 2012. O plano atua com foco em quatro frentes: preventiva, mudança nos processos, ações educativas e ações corretivas.
Em 2010, comparativamente a 2008, houve uma redução de 50% no número de acidentes de trabalho com afastamento e 37% no de acidentes sem afastamento, considerando somente a unidade Faria Lima, onde se concentra o maior número de pessoas (veja gráfico). Resultados que refletem as ações preventivas, corretivas e educativas.
A Embraer não registra óbito por acidente de empregados e contratados desde 2007.
Gráficos de Acidentes – Unidade Faria Lima
Acidentes de Trabalho sem Afastamento |
Acidentes de Trabalho
com Afastamento |
 |
 |
Gestão da Cadeia de Suprimentos
A Embraer é uma Empresa que não aplica políticas ou práticas comuns de preferência a qualquer tipo de fornecedor. Diversos são os fatores que influenciam a seleção de fornecedores, entre eles, confiabilidade, custo, capacidade técnica, disponibilidade e prazos de entrega, qualidade, conveniências de compras, assistência e capacidade produtiva.
GRI 2.4 | 2.5
No processo produtivo, os materiais aeronáuticos comprados representam um grande percentual dos custos das aeronaves e, consequentemente, têm grande impacto no fluxo de caixa da Empresa. Um dos principais esforços em 2010 foi a condução de projetos para melhorar o fluxo de caixa, o giro, o relacionamento e a comunicação com os fornecedores, os processos de trabalho e a capacitação dos empregados da Diretoria de Suprimentos e reduzir o volume dos estoques de materiais comprados. Em torno de 5% dos orçamentos para os processos de compra das unidades operacionais é promovida com fornecedores locais. Projetos para redução dos níveis de estoques contemplaram a alteração das políticas de planejamento de compra de materiais (lote e estoque de segurança), eliminação dos excessos de estoque, redução de materiais obsoletos e ações para melhorar a previsibilidade de desembolso do caixa. Esse projeto integrou as regras e procedimentos praticados por todas as áreas envolvidas na Cadeia de Suprimentos, como Fretes, Incoterms, conversão de moedas, recebimento de materiais,
exhibits e condições de pagamentos.
Foram promovidas reuniões executivas e de acompanhamento de planos de ação com os principais fornecedores de materiais aeronáuticos. Trimestralmente, são acompanhados: on
time delivery, índices de qualidade, gestão da modificação do produto e satisfação dos clientes. Na melhoria do relacionamento e da comunicação, o
Embraer Suppliers Conference (ESC) e o
Supply Chain Alignment (SCA) são promovidos duas vezes ao ano com a participação dos fornecedores da cadeia de suprimentos para divulgar as expectativas da Embraer, apresentar os cenários atuais e futuros nos mercados da Aviação Comercial, Executiva e Defesa e Segurança. Também são apresentados os planos de produção, planos de ação e projetos para melhoria da cadeia de suprimentos e da qualidade do produto.
Foram promovidas avaliações dos fornecedores chaves para identificar potenciais riscos à cadeia de suprimentos e limitá-los. São verificados riscos financeiros, de qualidade do produto, da cadeia de suprimentos, de modificações e engenharia, e da carga
versus capacidade de produção. Após essa verificação, a Embraer, em conjunto com os fornecedores, define planos de ação para limitar ou eliminar esses riscos.
GRI EC6
Financiamento às Vendas
A despeito dos efeitos da crise na disponibilidade e no custo do financiamento de aeronaves, em 2010 as companhias aéreas conseguiram estruturar os financiamentos de suas entregas e as agências de crédito à exportação suportaram plenamente seus fabricantes. Os clientes da Embraer, em particular, obtiveram amplo sucesso na estruturação dos financiamentos das aeronaves.
A diversificação da base de clientes dos
E-Jets e a sua versatilidade de aplicação nos diversos modelos de negócio têm contribuído para a percepção positiva do ativo como mitigador de risco e, consequentemente, os valores residuais têm apresentado excelente
performance. O sucesso na estruturação de financiamentos para os clientes da Embraer, nos últimos anos, é a prova da ótima avaliação dos
E-Jets pelo mercado financeiro. A família EMBRAER 170/190 tem sido financiada predominantemente por instituições financeiras européias e empresas de
leasing. O apoio do sistema brasileiro de financiamento à exportação, composto pelo BNDES, SBCE e Ministério da Fazenda, aumentou nos últimos anos devido à crise financeira e representou cerca de 53% do total das entregas de 2010, devendo manter níveis similares em 2011. No entanto, o apoio governamental acumulado representa apenas 17% do total de entregas dos
E-Jets desde 2004.
Há sinais de melhora na liquidez do mercado como um todo. Os bancos privados, as empresas de leasing e o mercado de capitais devem aumentar a participação em novos financiamentos nos próximos anos. As agências de crédito à exportação continuarão atuando de forma importante em 2011 no atendimento das necessidades totais de financiamento, estimadas em US$ 77 bilhões para a aviação comercial.
Em 2010, a Embraer anunciou o segundo memorando de entendimento com empresas da China para financiamento e
leasing de aeronaves. Esses acordos contribuirão para fornecer um forte suporte aos nossos clientes em todo o mundo. A expectativa é que a participação das estruturações de
leasing aumente significativamente nos próximos anos.
Nesse ano, a Embraer concluiu a primeira linha de crédito de exportação
Pure Cover. Com a criação dessa estrutura, o banco financiador se beneficia de uma garantia de 100% do Governo Brasileiro, por meio da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. Essa nova estrutura trará ainda mais oferta de crédito para os clientes da Embraer, pois facilita o acesso às instituições financeiras internacionais e a uma ampla gama de investidores nos mercados de capitais.
Administração de Ativos
Para oferecer melhor suporte às vendas e reduzir alguns riscos financeiros relacionados à comercialização de aeronaves, a Embraer criou, em 2002, a subsidiária ECC Leasing Co. Ltd., baseada em Dublin, na Irlanda.
A missão da ECC Leasing é gerenciar e comercializar a carteira de aeronaves que, por obrigações contratuais, poderão ser adquiridas pela Embraer em transações de trade-in e recompra. Essa companhia também presta serviços de recomercialização a terceiros ligados às campanhas de vendas.
A ECC Leasing administrou até o momento 86 aeronaves de fabricação da Embraer, das quais 37 foram recomercializadas, 30 estão em leasing operacional, 11 aeronaves estão disponíveis para recolocação no mercado e oito são utilizadas pela Embraer para conclusão de testes e certificações principalmente para E-Jets e Legacy 650.
Além dessas aeronaves, no final de 2010 a ECC Leasing adquiriu em trade-in uma frota de 25 aeronaves Citation Ultra, conforme contrato de venda de 50 jatos Phenom 300, firmado entre a Embraer e a NetJets Inc. A ECC tem por objetivo recomercializar essas aeronaves no mercado secundário.
Ativos Intangíveis
Para a Embraer, a força da marca é um dos principais ativos intangíveis. A penetração em diferentes mercados e regiões e a significativa participação de mercado demonstram uma aceitação global, sempre associada a produtos altamente confiáveis, inovadores, sustentáveis e com tecnologia de ponta.
Responsabilidade e Segurança do Produto
A Embraer possui os mais elevados padrões de produção, que têm início no compromisso com a excelência empresarial. O programa P3E, que busca o contínuo aperfeiçoamento de pessoas e processos, é um dos pilares da responsabilidade por um produto que envolve tecnologia e medidas de segurança como o avião.
Além da capacitação dos empregados, a Empresa e seus parceiros de treinamento oferecem a todos os operadores de aeronaves de sua fabricação um conjunto abrangente de cursos de treinamento técnico.
Nossa responsabilidade também se reflete nas certificações de projeto, fabricação e aeronavegabilidade obtidas por nossos aviões no Brasil e no exterior. O processo de certificação é um processo legal e obrigatório para a aviação civil no qual a Embraer precisa demonstrar que o produto cumpre os requisitos de segurança definidos pela autoridade de certificação.
A Embraer tem na segurança de seus produtos uma das bases fundamentais para a geração de valor. Sua política de segurança promove uma abordagem pró-ativa em todo o ciclo de vida do produto de modo a assegurar que as normas e os padrões de segurança sejam atendidos, além de exceder os mínimos exigidos pelas autoridades de certificação aeronáutica.
A preocupação em proteger a saúde e segurança das pessoas, em todos os estágios do ciclo de vida dos produtos e serviços, não está evidenciada apenas no total cumprimento dos regulamentos e normas compulsórias, mas também na busca de certificações voluntárias.
| Ativos Intangíveis |
Componentes |
Forma de Avaliação |
| Marca Embraer |
Terceira maior fabricante de jatos comerciais no mundo |
Total de vendas |
| Quarto maior exportador brasileiro |
Base global de clientes |
| 41 anos de operações |
Carteira formada por importantes
parceiros, de renome mundial |
| |
Grau de investimento pelas agências
de crédito Moody's e Standard & Poor's |
| Recursos Humanos |
Conhecimentos e habilidades relacionadas às competências estratégicas |
Desempenho da Empresa |
| Elevados índices de produtividade, motivação e comprometimento |
Sistema de Gestão de
Desempenho e Processos (P3E) |
| |
Prêmios e reconhecimentos
na área de gestão de pessoas |
| Propriedade Intelectual |
Processo de gestão do conhecimento |
Número ou valor das patentes |
| Proteção legal da propriedade intelectual das inovações |
|
| Infraestrutura |
Domínio de todo o ciclo do negócio, da concepção ao suporte aos clientes |
Desempenho operacional |
A Embraer possui certificações emitidas pelas autoridades aeronáuticas (CHE – Certificado de Homologação de Empresa e CHT – Certificado de Homologação de Tipo) e pela entidade certificadora internacional ABS – Quality Evaluations (OHSAS 18001 e AS 9100).
Os novos produtos ou mesmo as modificações introduzidas em projetos já certificados só são liberados aos operadores após um processo formal de demonstração de cumprimento dos requisitos de segurança e a consequente emissão da aprovação da autoridade de aviação civil.
O processo de garantia da integridade dos produtos Embraer continua após a entrada em serviço da aeronave ou mesmo a implantação de modificações, com o devido acompanhamento da frota, tanto pela Embraer como pelas autoridades responsáveis.
GRI PR1
Além disso, por meio de manuais técnicos de operação e manutenção da aeronave, a Embraer disponibiliza informações detalhadas de todos os seus produtos e serviços para que os clientes e usuários finais possam utilizá-los de forma segura, eficiente e em conformidade com as exigências regulamentares aplicáveis, de forma a minimizar impactos ambientais e sociais decorrentes de seu uso.
Certificações – Todas as aeronaves desenvolvidas pela Embraer estão certificadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil, pela Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos e pela European Aviation Safety Agency (EASA) da União Europeia, além de outras, dependendo de onde se pretende registrar e operar a aeronavee.
GRI PR3
Assuntos Incluídos no Monitoramento
do Comitê de Segurança do Produto* |
 |
* Valores referentes à média por tipo de
aeronave monitorada. |
O desempenho de segurança dos produtos é continuamente monitorado com os clientes. Os eventuais riscos identificados são imediatamente avaliados e tratados no âmbito do Comitê de Segurança do Produto da Embraer, consolidando um processo completo de gerenciamento de riscos que objetiva minimizar a exposição dentro dos melhores padrões da indústria. O gráfico acima apresenta a média anual dos assuntos incluídos no monitoramento desse comitê. Mesmo com o contínuo lançamento de novos modelos e o crescimento da frota em operação, nos últimos anos essa média tem se mantido em torno de três assuntos por tipo de aeronave monitorada.
Na eventualidade de um acidente ou incidente grave envolvendo um de seus produtos, a Segurança de Voo da Embraer participa das investigações e dá suporte à autoridade responsável, sempre de acordo com as normas do Anexo 13 da Organização Internacional da Aviação Civil (sigla em inglês ICAO). No caso do acidente ocorrido na China em agosto de 2010, envolvendo uma aeronave
EMBRAER 190, uma equipe de especialistas da Empresa esteve presente no local desde a fase inicial dos trabalhos, dando apoio à autoridade aeronáutica chinesa (sigla em inglês CAAC). Embora a investigação ainda não esteja concluída, cabe ressaltar que, até o momento, não foi identificado qualquer fator contribuinte relacionado ao produto.
Em outros acidentes ocorridos em 2010, como a queda dos EMB-810C Seneca II em Manaus/AM; do
Embraer 110 Bandeirante no município de Senador José Porfírio/PA e a do Embraer 120 Brasilia na Austrália, além do pouso de barriga de um ERJ 145 em Vitória da Conquista/BA, não houve a comprovação de quaisquer problemas de fabricação das aeronaves.
GRI PR2
CLIENTES AVIAÇÃO COMERCIAL
PORTFÓLIO – JATOS COMERCIAIS
| Família ERJ 145 |
 |
|
Capacidade: até 50 assentos
Alcance: até 3.700 Km (2.000 mn) |
| Embraer 170 |
 |
|
Capacidade: 70 a 80 assentos
Alcance: 3.900 Km (2.100 mn) |
| Embraer 175 |
 |
|
Capacidade: 78 a 88 assentos
Alcance: 3.700 Km (2.000 mn) |
| Embraer 190 |
 |
|
Capacidade: 98 a 114 assentos
Alcance: 4.500 Km (2.400 mn) |
| Embraer 195 |
 |
|
Capacidade: 108 a 122 assentos
Alcance: 4.100 Km (2.200 mn) |
PORTFÓLIO – JATOS EXECUTIVOS
| |
|
|
|
| Phenom 100 |
 |
|
Capacidade: 6 a 8 ocupantes
Alcance: 2.182 Km (1.178 mn)
Categoria: Entry-level |
| Phenom 300 |
 |
|
Capacidade: 8 a 10 ocupantes
Alcance: 3.650 Km (1.971 mn)
Categoria: Light |
| Legacy 450 |
 |
|
Capacidade: 7 a 9 assentos
Alcance: 4.260 Km (2.300 mn)
Categoria: Midlight |
| Legacy 500 |
 |
|
Capacidade: 8 a 12 assentos
Alcance: 5.556 Km (3.000 mn)
Categoria: Midsize |
| Legacy 600 |
 |
|
Capacidade: 8 a 9 ocupantes
Alcance: 3.334 Km (1.800 mn)
Categoria: Light |
| Legacy 650 |
 |
|
Capacidade: 10 a 14 assentos
Alcance: 6.297 Km (3.400 mn)
Categoria: Super Midsize |
| Lineage 1000 |
 |
|
Capacidade: 13 a 19 assentos
Alcance: 8.334 Km (4.500 mn)
Categoria: Ultra-large |
PORTFÓLIO – EMBRAER DEFESA E SEGURANÇA
| |
|
|
|
| Super Tucano |
 |
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Treinamento Básico e
Avançado, Transição para
Caças e Ataque Leve |
| AMX |
 |
|
Ataque ao Solo |
| EMB 145 AEW&C |
 |
|
Alerta Aéreo Antecipado e Controle |
| EMB 145 Multi Intel |
 |
|
Sensoriamento Remoto , Vigilância
Ar-Terra e Inteligência Eletrônica |
| EMB 145 MP |
 |
|
Patrulha Marítima |
| KC-390 |
 |
|
Transporte Tático Militar e
Reabastecimento em Voo |
| Transporte de Autoridades |
 |
|
Família ERJ 145, E-Jets,
Legacy, Phenom |
| Sistema de Integração de Comando e Controle |
|
|
TOSS |
| Sistema de Suporte Operação e Treinamento |
|
|
|
| Modernização de aeronaves |
|
|
|
PORTFÓLIO – AVIAÇÃO AGRÍCOLA
| |
|
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|
| Ipanema |
 |
|
|
Entrega de Aeronaves por Segmento
GRI 2.2
| |
|
2010 |
2009 |
| Aviação Comercial |
|
100 |
122 |
| ERJ 145 |
|
6 |
7 |
| EMBRAER 170* |
|
9 (2) |
22 |
| EMBRAER 175 |
|
8 |
11 |
| EMBRAER 190 |
|
58 |
62 |
| EMBRAER 195 |
|
17 |
20 |
| Aviação Executiva |
|
144 |
115 |
| Phenom 100 |
|
100 |
93 |
| Phenom 300 |
|
26 |
1 |
| Legacy 600 |
|
3 |
18 |
| Legacy 650 |
|
7 |
- |
| Lineage 1000 |
|
5 |
3 |
| EMBRAER 170 Shuttle |
|
3 |
- |
| Defesa e Segurança** |
|
2 |
7 |
| ERJ 135 |
|
1 |
1 |
| Phenom 100 |
|
- |
4 |
| Legacy 600 |
|
1 |
- |
| EMBRAER 190 |
|
- |
2 |
| Total Jatos |
|
246 |
244 |
* Entregas identificadas por parênteses foram contabilizadas como leasing operacional.
** Inclui somente entregas de jatos executivos configurados para transporte de autoridade e aeronaves para companhias aéreas estatais.
Aviação Comercial
No Brasil, devido ao sucesso na operação com os jatos da família ERJ 145, a Passaredo Linhas Aéreas duplicou sua frota em 2010, aumentando-a para dez aeronaves. Na Ucrânia, a empresa aérea Dniproavia utiliza a aeronave para a abertura de novos mercados e também na substituição de aeronaves maiores para adequar a demanda à oferta de assentos. No México, o jato de 50 assentos é operado pela AeroMexico Connect e é um elemento cada vez mais importante para a alimentação dos
hubs da AeroMexico. A empresa opera 41 aeronaves – a quarta maior frota de ERJ145 do mundo.
Para atender a esse crescente mercado de aeronaves usadas e suportar as necessidades dos clientes, a Embraer oferece o Lifetime Program, pacote de suporte que pode ser totalmente personalizado e tem sido essencial para garantir o sucesso da operação do ERJ145 nesses mercados. Além disso, a Embraer também oferece a conversão de configuração para versão
shuttle como mais uma opção para os clientes dessa família.
Os 888 jatos comerciais ERJ 145 entregues pela Embraer voam hoje em mais de 30 empresas aéreas, em cinco continentes, tendo superado a impressionante marca de 13 milhões de ciclos e 15 milhões de horas voadas.
Os jatos de 61 a 120 assentos cada vez mais se apresentam como ferramentas estratégicas fundamental para as empresas aéreas protegerem seu posicionamento competitivo. Semelhante ao que ocorreu em 11 de setembro de 2001, os efeitos da crise financeira mundial, que se iniciou em 2008 e alcançou o pico em 2009, forçaram as empresas a adequarem a oferta de assentos a uma demanda reduzida. Os
E-Jets ofereceram a agilidade necessária para que as empresas fizessem o ajuste da oferta em suas malhas, mantendo o nível de serviços e ao mesmo tempo protegendo suas participações de mercado. Essa estratégia favoreceu o posicionamento das empresas para a retomada de crescimento de seus negócios com o início da recuperação da indústria em 2010.
Em paralelo, os
E-Jets têm sido reconhecidos pelo mercado por sua capacidade de operação em todos os modelos de negócios, sejam as empresas aéreas de baixo custo, as empresas tradicionais ou as regionais. Essa flexibilidade é fruto direto do baixo consumo de combustível e de emissões, reduzido custo operacional.
Os elevados níveis de pontualidade e o excelente conforto oferecidos por essa família de aeronaves também são fatores fundamentais para a versatilidade do produto.
Em apenas seis anos após a entrada em serviço do 1º EMBRAER 170, os
E-Jets conquistaram uma base de clientes sólida e diversificada, 58 empresas aéreas em 39 países dos cinco continentes, ultrapassando a expressiva marca de 5 milhões de horas voadas. A entrega do 700º
E-Jet, um EMBRAER 190, para a empresa BA CityFlyer, do Reino Unido, representou uma enorme conquista para a Embraer e é um marco atingido por poucos programas na história da aviação comercial mundial.
O EMBRAER 190 da BA CityFlyer entrou em operação no principal aeroporto de negócios de Londres, London City (LCY), onde a Embraer conquistou a certificação de aproximação íngreme para este modelo. O EMBRAER 170 foi certificado em 2007 para a mesma funcionalidade e é também operado por essa empresa em LCY.
Em 2010 o mercado começou a dar sinais de recuperação que se refletiu no anúncio de novas vendas de
E-Jets, o EMBRAER 170/190 para a Gulf Air (Bahrein),
EMBRAER 175 (FlyBe, Reino Unido), EMBRAER 190 (Air Lease, Estados Unidos), EMBRAER 190 (Republic Airways,
Estados Unidos), EMBRAER 175 (Fuji Dream, Japão), EMBRAER 195 (Lufthansa, Alemanha) e o
EMBRAER 190 para a Austral Líneas Aéreas (Argentina). Adicionalmente, a Azul (Brasil), TRIP (Brasil) e BA CityFlyer (Reino Unido) confirmaram sua confiança nos produtos Embraer, ao converterem várias
opções em ordens firmes.
Também em 2010, três novos clientes iniciaram suas operações com
E-Jets: Austral Líneas Aéreas (Argentina), Gulf Air (Bahrein) e Air Moldova (República da Moldávia).
Ao final de 2010, os
E-Jets atingiram a expressiva marca de 947 encomendas firmes, 720 opções e 699 novos jatos entregues. Com a família ERJ 145 e os
E-Jets, a Embraer atingiu uma participação de mercado de 44% no segmento de jatos de 30 a 120 assentos. A carteira de pedidos firmes da aviação comercial atingiu US$ 7,6 bilhões, o equivalente a 250 aeronaves, conforme detalhado:
Aviação Comercial – Carteira de Pedidos 2010
| Modelo de Aeronave |
Pedidos Firmes |
Opções |
Entregas |
Pedidos Firmes em Carteira |
| Família ERJ 145 |
|
|
|
|
| ERJ 135 |
108 |
- |
108 |
- |
| ERJ 140 |
74 |
- |
74 |
- |
| ERJ 145 |
708 |
- |
706 |
2 |
| Total – Família ERJ 145 |
890 |
- |
888 |
2 |
| Família EMBRAER 170/190 |
|
|
|
|
| EMBRAER 170 |
191 |
40 |
181 |
10 |
| EMBRAER 175 |
173 |
276 |
133 |
40 |
| EMBRAER 190 |
478 |
353 |
321 |
157 |
| EMBRAER 195 |
105 |
51 |
64 |
41 |
| Total – Família EMBRAER 170/190 |
947 |
720 |
699 |
248 |
| Total |
1.837 |
720 |
1.587 |
250 |
Aviação Executiva
Apesar das dificuldades que afetaram todo o mercado de aviação no mundo, para a Embraer o segmento de aviação executiva obteve significativa expansão de sua participação de mercado que, em relação às unidades entregues, subiu de 14% em 2009 para 19% em 2010.
Em termos de receita, houve um aumento de 6,4% para 6,9%, respectivamente, devido ao
mix de produtos entregues. Esses aumentos são considerados de extrema relevância dado o cenário atual da economia mundial.
Um sinal de recuperação foi o acordo de compra de até 125 aeronaves fechado entre a Embraer e a norte-americana NetJets, maior operadora de propriedade compartilhada do mundo e que possui uma frota com mais de 800 aeronaves das categorias
light,
midsize e
large. Esse acordo prevê a compra de 50 jatos Phenom 300, com mais 75 opções e poderá atingir cerca de US$ 1 bilhão.
Durante 2010, a Embraer, dentro de uma estratégia planejada, atuou no mercado de aviação executiva e desempenhou ações diretas que solidificaram ainda mais o compromisso estabelecido com o mercado no início da década. Elas fazem parte da oferta de soluções integradas para aquisição e operação das aeronaves executivas da Embraer e englobaram desde as certificações ANAC e EASA obtidas pelo Phenom 300 até a expansão da rede de representantes de vendas, treinamento, serviços e suporte aos clientes.
O jato Legacy 650 teve sua estreia no mercado em 2010. Após obter as certificações Anac e EASA, essa aeronave fez seu primeiro voo direto de Dubai, nos Emirados Árabes, para Londres, no Reino Unido. Além disso, em dezembro foi entregue a primeira unidade dessa aeronave para um cliente no Oriente Médio, reforçando a boa aceitação da plataforma Legacy nesse mercado. Por sua vez, o jato super médio Legacy 600 entra em seu nono ano de produção com uma larga aceitação no mercado, tendo alcançado em dezembro de 2010, a marca de 185 aeronaves em operação regular em 35 países.
Também em 2010, foi entregue a centésima unidade da aeronave Phenom 100 para o operador americano de propriedade compartilhada JetSuite. Além disso, em novembro foi entregue a primeira unidade dessa aeronave para um cliente indiano, reforçando o posicionamento da Embraer no mercado asiático. Ao final do ano, a frota do Phenom foi composta por mais de 180 aeronaves em operação distribuídas em 22 países pelo mundo. O Phenom 300 teve sua primeira unidade entregue para um cliente brasileiro e a primeira unidade entregue para um cliente indiano, confirmando a aceitação dos jatos executivos da Embraer nos mercados emergentes. Em maio de 2010, a aeronave recebeu a Certificação de Tipo EASA.
Os novos jatos midlight, Legacy 450, e midsize,
Legacy 500, tiveram a produção de suas primeiras peças iniciadas em janeiro de 2010. O desenvolvimento dessas aeronaves continua no prazo previsto. Em outubro de 2010 começaram os testes de solo e o primeiro voo do
Legacy 500 é esperado para o final de 2011.
Em setembro de 2010 foi realizado o voo mais longo de um jato executivo Embraer. O Lineage 1000, da categoria ultra large, realizou um voo sem paradas entre Mumbai, na Índia e Londres, no Reino Unido. Além disso, foi entregue a primeira unidade desse modelo de jato para um cliente mexicano e houve a ampliação da frota no Oriente Médio.
No final de 2010, a Embraer acumulava em carteira US$ 4,7 bilhões em pedidos de aviões executivos.
Defesa e Segurança
A Embraer Defesa e Segurança desempenha papel estratégico no sistema de defesa do Brasil – já forneceu quantitativo superior à metade da frota da FAB – e começa a expandir mais agressivamente sua área de influência a outras regiões, além dos mais de 25 países que já atende com suas aeronaves.
Encontra-se em desenvolvimento, e pontualmente dentro do cronograma, o KC-390, aeronave militar para missões de transporte de cargas e de reabastecimento em voo. O KC-390 terá capacidade de voar a 850 quilômetros por hora e transportar até 23 toneladas de carga útil, podendo transportar 64 paraquedistas equipados para combate ou 80 soldados de infantaria convencional, e permitirá a entrada da Embraer em um novo segmento de mercado. O primeiro voo do protótipo está previsto para 2014 e a certificação da aeronave para o final do ano seguinte. A aeronave já conta com intenção de compra de 60 unidades, sendo 28 unidades para a FAB, 12 para a
Colômbia, seis para Chile, Portugal e Argentina e dois para a República Tcheca.
Em 2010, foram entregues duas aeronaves de transporte ao mercado de defesa, oito F-5 modernizados pelo Programa F-5M da FAB, e 35 Super Tucanos para Brasil, Equador, República Dominicana e Chile.
O ano de 2010 foi muito significativo para toda a linha de produtos do segmento de defesa e segurança. O Super Tucano, treinador avançado e de ataque leve, continuou sendo um dos destaques, com a entrada em serviço em mais um País, o Equador, que se junta a Brasil, Colômbia, Chile e República Dominicana como operadores dessa aeronave.
Além disso, foi fechado contrato com um novo cliente, a Indonésia, para fornecimento de oito aeronaves a partir de 2012, perfazendo-se um total de 180 aeronaves contratadas e 152 entregues. O contrato com a Indonésia representa a entrada do Super Tucano na região da Ásia Pacífico.
A Embraer Defesa e Segurança tem um contrato com a FAB para a produção de 99 aviões Super Tucano sendo que em 2010, a FAB recebeu a 89ª unidade. Foram finalizadas as entregas das 12 unidades do Chile e das oito unidades da República Dominicana. A Força Aérea do Equador encomendou 18 aeronaves sendo que 15 já foram entregues. Essa aceitação confirma sua versatilidade, associada ao bom desempenho para treinamento, missões operacionais e aos baixos custos de aquisição, operação e manutenção.
Em 2010, os sistemas de suporte ao treinamento e à operação (TOSS), que podem contemplar simuladores de voo, sistemas computacionais para treinamento (CBT) e estações de planejamento (MPS) e relato de missão (MDS) também foram desenvolvidos para apoiar operadores do Super Tucano no Chile, no Equador e na República Dominicana.
Foi disponibilizado a esses países treinamentos básicos, avançados e de formação de instrutores. Serviços de treinamento também foram fornecidos em 2010 para a Tailândia (família ERJ 145), para o Panamá (Legacy 600) e para o governo Brasileiro (EMBRAER 190PR).
No que tange a sistemas ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) destaca-se o pleno andamento do programa AEW Índia, relativo ao contrato com a DRDO (Defence Research and Development Organization), da Índia, para o fornecimento de três aeronaves EMB 145 AEW&C. A primeira entrega está prevista para 2011.
Com relação às aeronaves de transporte para forças armadas e governos, as entregas de um ERJ 135 para a Marinha Tailandesa e um Legacy 600 para o Governo do Panamá demonstram a boa aceitação das nossas plataformas para o transporte de autoridades.
No campo das modernizações, estão atualmente em execução três programas para as Forças Armadas Brasileiras. No programa A-1M, a Embraer é responsável pela modernização de 43 caças subsônicos AMX. Adicionalmente a esse programa, no final de 2010 foi também assinado contrato com a FAB para a revitalização dessas aeronaves.
O segundo programa, F-5M da FAB, abrange um total de 46 caças F-5, dos quais, em 2010, mais oito unidades foram entregues modernizadas, restando cinco unidades para 2011. No início desse ano, foi assinado contrato para a modernização de 11 caças F-5 adicionais, além do fornecimento de mais um simulador de vôo dessa aeronave, em continuidade ao contrato assinado em 2000.
O terceiro programa se refere à modernização de 12 aeronaves A-4 para a Marinha do Brasil, das quais duas unidades já se encontram nas instalações da Empresa.
No final de 2010, a unidade empresarial Embraer Defesa e Segurança acumulou uma carteira de pedidos de US$ 3,3 bilhões.
Serviços Aeronáuticos
A rede mundial de serviços e suporte aos clientes da Aviação Executiva da Embraer continuou expandindo em 2010, quando foram nomeados cinco novos centros de serviço autorizados. Atualmente essa rede consiste de um total de cinco centros próprios e mais de 37 centros autorizados.
A frota de aeronaves Embraer está em contínua expansão por todo o mundo e a Empresa continua a manter um grande foco no fortalecimento e desenvolvimento dos serviços aeronáuticos. Em julho de 2010, criou a primeira subsidiária integral na China ao completar dez anos de atividades no país: a China Aircraft Technical Services Company Ltd. (ECA), com sede em Pequim e investimentos de US$ 18 milhões, especializada na logística e venda de peças de reposição, bem como serviços de consultoria para questões técnicas e operações de voo.
O primeiro simulador de voo do Phenom 300 da
Embraer CAE Training Services (ECTS) recebeu, em agosto de 2010, a qualificação pela ANAC, pela FAA e a EASA. Trata-se de uma ferramenta de treinamento de última geração em operação no Centro de Treinamento
SimuFlite da CAE em Dallas, Texas, EUA, e já é utilizada por clientes para qualificar pilotos daquela aeronave.
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